terça-feira, 18 de agosto de 2026

 

                                                           EULINA E A BIC


 Eu - Quer saber o que eu ralmente acho?

 Lina - Sim! - com a Bic na mão.

 Eu - Largue essa Bic, ninguem vai ler o que você escrever, vai fazer alguma coisa mais útil... academia por exemplo... pelo menos você emagrece, ganha belas formas.

Lina - Mas eu preciso escrever! Tenho tantas idéias fervilhando na minha cabeça... elas precisam sair!

Eu -Tá brava? Vai falando tudo o que te dá raiva, enquanto dá murros no saco de pancadas! 

Lina - Não é raiva... são bons pensamentos... amores que eu queria viver e não vivi... lugares que eu queria conhecer e não conheci...alegrias, tristezas, aventuras que queria experimentar e não experimentei... coisas assim.

Eu - E voce acha que escrever vai liberar você dessas idéias?

Lina - Acho. Pelo menos as idéias vão ter uma forma concreta, por meio das palavras.

Eu - "Forma concreta por meio de palavras" Que besteira é essa? O máximo que você vai conseguir é que algumas pessoas bem educadas leiam seus textos e digam "achei bom", com um belo sorriso amarelo estampado na cara.

Eulina - É isso!Vou ser uma produtora de sorrisos amarelos. E a minha Bic vai ser a minha fiel escudeira.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

 



                                                  MINHA MESA DE TRABALHO  


          Olho para minha mesa de trabalho. Vejo o computador, a peça mais importante, seis canecas, do tempo em que era moda dar e receber canecas de presente, todas preenchidas com objetos como lápis pretos, lápis de todas as cores, furador de papéis, umas cinco canetas bic, várias canetas hidrocolor, uma lupa, um abridor de envelopes e outros apetrechos, como clips, apontador, escovinha, borrachas, e demais coisinhas do gênero.

          Uma lâmpada acesa no canto esquerdo da mesa, tenta fornecer luz às minhas idéias que insistem em pensar absurdos. Eu poderia aproveitar esses absurdos para escrever contos, ou crônicas, até  um romance... mas não consigo.

          Um régua de trinta centímetros espetada dentro de uma das canecas, projeta na parede uma sombra, que juntamente com a sombra das canecas, fica parecida com o recorte feito pelo perfil dos prédios, no céu de uma cidade moderna. Deixo aos leitores a tarefa de imaginar como é essa sombra.

          Eu gostaria de escrever coisas que levassem os leitores a ter pensamentos profundos, mas a minha cabeça, no momento, é um vácuo, um ôco... dá até para ouvir o vento soprando dentro dela.

          E a peça principal, constante da minha mesa é uma folha de papel em branco. Tem uma bic já sem a tampinha, pousada em cima. Ela, a folha, está querendo muito ser promovida à página. Talvez à primeira página de um romance contendo todos os absurdos que minha cabeça pensa... ou palavras que levem o leitor a pensar sobre a vida e a morte...

          Mas, desta vez, a folha não vai virar página de romance, nem de um conto, nem de uma crônica. Vai conter apenas um texto descrevendo o meu ambiente de trabalho, porém com um detalhe mais importante: sem adjetivos. 

                                                              

                                                                              ***