MINHA MESA DE TRABALHO
Olho para minha mesa de trabalho. Vejo o computador, a peça mais importante, seis canecas, do tempo em que era moda dar e receber canecas de presente, todas preenchidas com objetos como lápis pretos, lápis de todas as cores, furador de papéis, umas cinco canetas bic, várias canetas hidrocolor, uma lupa, um abridor de envelopes e outros apetrechos, como clips, apontador, escovinha, borrachas, e demais coisinhas do gênero.
Uma lâmpada acesa no canto esquerdo da mesa, tenta fornecer luz às minhas idéias que insistem em pensar absurdos. Eu poderia aproveitar esses absurdos para escrever contos, ou crônicas, até um romance... mas não consigo.
Um régua de trinta centímetros espetada dentro de uma das canecas, projeta na parede uma sombra, que juntamente com a sombra das canecas, fica parecida com o recorte feito pelo perfil dos prédios, no céu de uma cidade moderna. Deixo aos leitores a tarefa de imaginar como é essa sombra.
Eu gostaria de escrever coisas que levassem os leitores a ter pensamentos profundos, mas a minha cabeça, no momento, é um vácuo, um ôco... dá até para ouvir o vento soprando dentro dela.
E a peça principal, constante da minha mesa é uma folha de papel em branco. Tem uma bic já sem a tampinha, pousada em cima. Ela, a folha, está querendo muito ser promovida à página. Talvez à primeira página de um romance contendo todos os absurdos que minha cabeça pensa... ou palavras que levem o leitor a pensar sobre a vida e a morte...
Mas, desta vez, a folha não vai virar página de romance, nem de um conto, nem de uma crônica. Vai conter apenas um texto descrevendo o meu ambiente de trabalho, porém com um detalhe mais importante: sem adjetivos.
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