quinta-feira, 23 de janeiro de 2020






                                                       DESEMBARQUES


                ITAJAÍ - Fui até a  Administração pedir meu passaporte que recolheram quando embarquei, mas disseram que o cartão do navio é suficiente e que o passaporte só vão entregar quando voltarmos pra Sampa. Não achei bom. Fiquei com preguiça de reclamar, mas fiquei me sentindo violada nos meus direitos de cidadã. Desci em Itajaí com essa sensação.
                Tomamos um Uber para a praia Brava. O motorista deu uma volta pela cidade, para vermos os pontos turísticos e depois foi pela orla. Cobrou R$23,00 pelo trajeto. Alugamos um guarda sol, duas cadeiras, tomamos uma cerveja por R$15,00 e curtimos a praia. Areia branquinha e solta, muito gostosa. Mar bravo, levei alguns  tombos bem divertidos. Agua refrescante, sol escaldante, gente bonita, Cerveja bem gelada. Delícia, delícia! Depois almoçamos frutos do mar, num restaurante em frente, pagamos R$160,00, estava tudo ótimo. Uber para voltar ao porto, R$11,00. Ao todo, eu e minha filha gastamos R$209,00 reais.  No navio estavam vendendo pacotes de excursão para a praia Brava, por pouco mais de US$100,00, por pessoa! Uau!
                 Gostamos de Itajaí. Cidade não muito grande, bonita, limpíssima, praias lindas, gente simpática e acolhedoura. Foi um dia bem gostoso.

                  MONTEVIDEO - Não fomos a nenhum lugar específico. Optamos por andar nas ruas, observando a arquitetura e o comportamento das pessoas. Primeiro, nas ruas turísticas, com muitas lojinhas de "recuerdos", depois andamos por ruas não tão bonitas, com construções necessitando de reparos, muros pichados, alguns mendigos, porém nada que desmanchasse a primeira impressão de cidade limpa e bonita. Fomos até a orla, apreciamos a beleza do mar batendo nas pedras. Muito vento. Voltamos até o mercado onde almoçamos um delicioso prato com carne mal passada e tomamos uma excelente cerveja uruguaia. Muito bom! Acabamos de almoçar e já estava na hora de voltar ao navio.

                   BUENOS AIRES - Choveu. Choveu muito! Desembarcamos todos e ficamos presos num galpão enorme. Tumulto. Perdemos muito tempo esperando passar a chuva. Depois, perdemos mais tempo, esperando um taxi. Aí, a chuva parou um pouco e desistimos do taxi. Resolvemos andar. Mas logo a chuva recomeçou e nós paramos na estação central de trens. Linda! Tomamos um café na estação. Foi uma ótima parada. Quando estiou, recomeçamos a caminhada. Mas sempre havia uma garoa ou um chuvisco. E ficamos tentando comprar uma capa ou um guarda chuva nos camelôs, mas só tinhamos reais, dólares ou cartão de crédito e eles só vendiam em pesos. Continuamos a caminhar. quando estávamos perto de Puerto Madero, finalmente achamos um lugar onde pudemos pagar com o cartão. Compramos uma capa para cada uma. Daí meia hora, parou de chover e saiu o sol. Enfim, chegamos ao Puerto Madero, com sol e céu azul. Foi bom. Caminhamos por lá apreciando a paisagem, a arquitetura e as pessoas. Buenos Aires é uma cidade linda e o passeio depois da chuva, foi  agradabilíssimo. Almoçamos um bife mal passado, num restaurante simpático. Tomamos chope argentino. Voltamos a pé e passamos pelo shopping center. Tudo muito caro e não havia tempo para mais nada! Nenhuma compra. Somente alfajores.

                                                                        ***
                 Concluindo, fazer cruzeiro tem a vantagem de não precisar carregar mala, de ter um quarto confortável todas as noites e todas as refeições e bebidas já pagas. E o desconforto da quantidade de gente lotando os ambientes, do som estridente de todos os variados eventos que ocorrem dentro do navio. As paradas são interessantes, mas temos muito pouco tempo. Não dá pra conhecer nenhum lugar. Só dá pra ver. Talvez, se houvesse menos passageiros, eu teria gostado mais.
                 Fico sempre pensando nos navios de filmes, onde os passageiros se sentam no convés, se cobrem com uma manta charmosa e ficam lendo um livro, conversando e tomando um drink... Eu queria que fosse assim.
                                                                       ***
                 Voce já pode dizer eu li na tela da
                                                                  Eulina















quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

I


                                                      PESSOAS


          Quem já foi pra Disney sabe. É gente que fica economizando o ano todo pra fazer o cruzeiro.  Um festival de roupas de liquidação. Um mau gosto ostensivo. Peruas com mega hair, cílios e unhas postiças e bundas enormes. As grandes famílias dignas de figurar na série da Globo, devidamente caracterizadas como Dona Nenê ou Agostinho, sempre querendo aproveitar o máximo, entram na fila do bufê e enchem o prato de bacon. Eu fico olhando fascinada. Se não fosse o barulho, eu poderia ficar o dia todo só observando. Mas depois de um tempo, eu preciso do silêncio da minha cabine.

            Para meu espanto, depois de Itajaí, essa leva de gente sumiu. Devem ter desembarcado. Em seu lugar, chegaram pessoas mais bonitas. Roupas compradas em prestações. Mas não tão interessantes. Bundas menores, menos brilho. Gente mais contida, menos expontânea.

            Temos lugares marcados para o jantar. sempre os mesmos companheiros na mesa. Um casal de lésbicas da terceira idade, que moram na Moóca em São Paulo. Elas são muito simpáticas, já fizeram outros cruzeiros e tem um papo agradável. Um jovem casal hétero de Jequié, interior da Bahia. Também muito simpáticos. O papo flui, os assuntos rolam soltos, sem problemas. Dá pra perceber que todos evitam falar sobre política.  

            Conhecemos gente do mundo todo, principalmente sul americanos, muitos argentinos e uruguaios. O navio é italiano, então temos muitos passageiros italianos. Mas a mistura de nacionalidades se dá principalmente entre a tripulação. Além dos italianos, temos indianos, filipinos, africanos de vários países, argentinos, chilenos e brasileiros. O comandante é italiano. No primeiro dia, tivemos um garçom filipino chamado Putu! São todos simpáticos. Parecem gostar do que estão fazendo.

             Ficamos aqui completamente desligados do mundo. A internet é muito cara. Os telefones não se conectam. A  TV do quarto só tem programas italianos e filmes sobre a natureza. Não sabemos notícias, redes sociais não funcionam, nenhuma mídia impressa, nem rádio. Uma bolha flutuante no oceano Atlântico.

            Muitas crianças. Hoje choveu, então as crianças não foram à piscina. Ficaram correndo pelos corredores. Num dos "lounges", os adultos da família fizeram uma roda com as cadeiras e as crianças ficaram no meio. Eu estava olhando de longe, então vi num vãozinho entre duas cadeiras, aparecer primeiro uma cabecinha, depois o corpinho de um bebê engatinhando... uma gracinha! E ele fugiu mesmo, foi indo pela sala, bem depressinha, todo sorridente! Estava se achando livre! Porém não durou muito. Logo, veio um adulto e o levou de volta para o meio do círculo familiar.

             Temos muito velhinhos, alguns de bengala, outros cadeirantes. Não vejo jovens circulando pelos restaurantes nem pela piscina, nem participando de algum evento. Até achava que não havia jovens no navio. Mas, fui à discoteca numa noite e lá a faixa etária fica em torno de vinte e cinco anos.  Acho que eles dormem o dia todo.

            Muitos grupos de mulheres aposentadas. Poucos grupos de homens. Só vi dois. Uma roda de samba e um grupo em volta de um pebolim. Os outros homens estão sempre acompanhados de suas mulheres, pais, mães, filhos, filhas, fazem parte das grandes famílias.

             Hoje, foi dia de navegação. É como chamam os dias em que não há paradas. E com a chuva, todos os eventos estavam lotados. Bingo, aula de artesanato, aulas de dança, spa, massagens, academia... Tudo cheio de gente. Eu fui à aula de artesanato. Fiz um porta retrato. Depois fui ver um show de talentos da tripulação. Teve um bar man dançando, um salva vidas cantando Elvis, o professor de artesanato cantando Roberto Carlos, uma camareira cantando Alcione, um garçom cantando Frank Sinatra.
É bem agitada a vida no navio.     

            Você já pode dizer eu li na tela da
                                                                  Eulina 

domingo, 12 de janeiro de 2020

                       

                                PISCINA E CORREDORES

          A piscina fica no décimo primeiro andar. Vou tentar descrever, mas é indescritível. É dividida em três. Uma para crianças, rodeada de esculturas azuis que parecem pirulitos gigantes e uns esguichos direcionados para o centro, sempre cheia de crianças "gritantes e pulantes". além disso, tem uma piscina rasa, outra mais funda e um ofurô, ou algo parecido.
           Em volta, fica um deck, num plano mais alto. Esse é o lugar mais alto do navio. Fica cheio de senhoras, cheias de roupas, sacolas, óculos e cremes, tomando sol em espreguiçadeiras.
            Numa das pontas está um restaurante e na outra fica um bar. Em frente ao bar acontecem as danças, as ginásticas aeróbicas, as aulas de alongamento.
            O mais interessante de tudo são as pessoas. As mulheres da terceira idade, com biquínis que mal escondem os peitões e as bundonas rebolantes, as avós assanhadas dançando com os netos, as grandes famílias dançando em conjunto, numa profusão de pelancas e celulites... eu me incluo na categoria pelanca, e também fui levada por um recreador, (não sei se é esse o nome), mas são jovens que trabalham no navio e tem como missão não deixar ninguém em paz. Dancei um pouco e descobri a enorme diferença entre fazer exercícios dentro e fora d'agua. Com saudade da hidroginástica e suando por todos os poros, parei de dançar e fui tomar uma cerveja.
           Eu amo observar pessoas. Logo me cansei do exercício, sentei numa cadeira com minha cerveja e fiquei olhando aquela pequena multidão dançando freneticamente ao som de sucessos como Macarena, Despacito, Ai se eu te pego... Eles estavam felizes e eu fui contagiada, acabei desistindo da cadeira e fui dançar também... E todos nós dançamos felizes, conforme a música.

                                                     ***
            Noite calma. O navio não balançou. Chegamos pela manhã em Itajaí. Desembarcamos às dez horas e fomos para a Praia Brava, que realmente faz jus ao nome. Mar cheio de correnteza, ondas furiosas. Muito bonita. Ficamos tostando ao sol depois almoçamos num restaurante em frente. Tudo ótimo. Voltamos para o barco e tiramos uma soneca enquanto esperamos a hora do jantar.
                                                       ***
              Andamos pelo barco. Corredores enormes que interligam os ambientes e as lojas, de tal maneira que sempre que queremos ir a algum lugar, temos que passar por alguma loja. Os corredores são assimétricos, e a numeração das cabines e dos ambientes é truncada, seguindo uma sequência que me parece incompreensível. Então é comum as pessoas ficarem zanzando de um corredor para o outro, de uma loja para outra, sem saber direito onde estão, nem pra onde vão. É o mesmo critério arquitetônico dos shopping centers, programado para as pessoas serem atraídas pelas lojas e comprarem o máximo de coisas. Chego à conclusão de que o navio é um grande shopping center navegante.

                Tudo acarpetado e espelhado! Vamos nos duplicando, triplicando até o infinito por quase todos os lugares em que,passamos. Muitos padrões de tapetes. Muitas salas "lounges", com sofás enormes, espelhadas até o teto, mesinhas e cadeiras feitas para tomar um café ou um drink sempre perto de alguma loja.
E os corredores... quilômetros de corredores!  Eu nunca sei qual direção tomar, sempre ando o dobro, até achar o quarto. A única certeza é a de que sempre há uma loja por perto.
           
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                                                                  Eulina
           
         
                                             

                                                 PRIMEIRO DIA

          Depois de Uber e Transfer, desde a Vila Sonia até o porto de Santos, eu enfrentei uma fila de check in para embarcar. Fiquei admirando as pessoas da fila. Eu sou velhinha, fico na fila preferencial e para o meu espanto, essa fila era mais curta do que a outra. Eu achava que nesse tipo de viagem, haveria muito mais gente da terceira idade...

         Tinha muitas famílias numerosas, país mães, filhos e netos, todos na fila preferencial. Na outra fila, casais com filhos e sem filhos, grupos de mulheres. Não vi nenhum grupo de homens. Por que será que homens não viajam em grupo?

          Resolvida a burocracia, subir a escada que dá no convés do navio, é uma emoção igual a entrar naquele túnel que vai dar na porta do avião! Adoro! Eu, meu passaporte, minha bagagem e uma nova aventura! Meu coração bate mais rápido, adrenalina circulando.

           Navio é complicado, são muitos andares, muitos ambientes, restaurantes, lojas, cassino, teatro, boates, até chegar no quarto, passamos por tudo isso. Chegamos ao oitavo andar e enfrentamos quilômetros de corredores. O quarto é pequeno, bonitinho e confortável. A aventura está começando.

           Temos uma aula chatíssima sobre como é o funcionamento do navio, com instruções tipo para assistir o espetáculo do dia é preciso fazer reserva, ou para usar internet é preciso pagar, ou para sair durante as paradas é preciso observar o horário, muitas regras muitos procedimentos, muito mais burocracia. Temos o cartão pré pago com o qual compramos tudo e serve também de chave do quarto. E depois, ainda tivemos um treinamento obrigatório sobre como colocar a boia salva vidas. Tudo muito chato. Chatíssimo.

          Enfim, fomos almoçar. Comida ruim. Voltamos para o quarto e eu tirei uma soneca para recuperar o bom humor.

           Depois da soneca, fui à piscina. Aí começou a diversão.

           Voce já pode dizer eu li na tela da
                                                                Eulina
 

sábado, 11 de janeiro de 2020

                                             

                                                 PRIMEIRO DIA

          Depois de Uber e Transfer, desde a Vila Sonia até o porto de Santos, eu enfrentei uma fila de check in para embarcar. Fiquei admirando as pessoas da fila. Eu sou velhinha, fico na fila preferencial e para o meu espanto, essa fila era mais curta do que a outra. Eu achava que nesse tipo de viagem, haveria muito mais gente da terceira idade...

         Tinha muitas famílias numerosas, país mães, filhos e netos, todos na fila preferencial. Na outra fila, casais com filhos e sem filhos, grupos de mulheres. Não vi nenhum grupo de homens. Por que será que homens não viajam em grupo?

          Resolvida a burocracia, subir a escada que dá no convés do navio, é uma emoção igual a entrar naquele túnel que vai dar na porta do avião! Adoro! Eu, meu passaporte, minha bagagem e uma nova aventura! Meu coração bate mais rápido, adrenalina circulando.

           Navio é complicado, são muitos andares, muitos ambientes, restaurantes, lojas, cassino, teatro, boates, até chegar no quarto, passamos por tudo isso. Chegamos ao oitavo andar e enfrentamos quilômetros de corredores. O quarto é pequeno, bonitinho e confortável. A aventura está começando.

           Temos uma aula chatíssima sobre como é o funcionamento do navio, com instruções tipo para assistir o espetáculo do dia é preciso fazer reserva, ou para usar internet é preciso pagar, ou para sair durante as paradas é preciso observar o horário, muitas regras muitos procedimentos, muito mais burocracia. Temos o cartão pré pago com o qual compramos tudo e serve também de chave do quarto. E depois, ainda tivemos um treinamento obrigatório sobre como colocar a boia salva vidas. Tudo muito chato. Chatíssimo.

          Enfim, fomos almoçar. Comida ruim. Voltamos para o quarto e eu tirei uma soneca para recuperar o bom humor.

           Depois da soneca, fui à piscina. Aí começou a diversão.

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                                                                Eulina
 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020







                                                                NOVA AVENTURA



          Não é uma aventura muito "aventurosa"... não vou caminhar por longos percursos, sob sol ou chuva, não vou correr riscos, não vou realizar trabalhos voluntários, não vou para países remotos, conhecer povos diferentes... pelo contrário vou viajar com toda a segurança e conforto, durante uma semana e visitar cidades que já conheço que ficam em dois países "hermanos". Vou fazer um cruzeiro!

           E onde está a aventura? A aventura vai ser justamente essa. A de viajar por sete dias, com as mesmas pessoas e confinada a um navio. Sairemos de Santos, vamos até Buenos Aires e voltaremos para Santos, em sete dias. Tudo bem que o navio é enorme, com certeza não vou ter claustrofobia. Minha cabine fica no oitavo andar! Mal posso imaginar, oito andares no meio do mar... Vou embarcar daqui dois dias, e só então vou poder descrever o navio. Aguardem.

           Não sei quantas pessoas cabem, mas imagino que sejam muito diferentes daquelas com quem costumo conviver em caminhadas ou em trabalhos voluntários. Mesmo assim espero fazer novas amizades. Acho que a aventura será essa. Fazer novas amizades com pessoas muito diferentes das que eu costumo chamar de amigas. Ah, além de sobreviver aos enjôos...

          Por enquanto, estou me preparando. Mala complicada. Roupas para a piscina, para o convés, para os restaurantes, para os esportes, para o baile de gala... E eu que estou acostumada a levar só uma roupa para andar e outra para chegar... levei semanas preparando a mala...

          Tudo novo! Cabine com vista para o mar e banheiro exclusivo... e eu que estou acostumada a dormir em quartos coletivos com banheiros no fim do corredor... Buffet com comidas disponível 24 horas por dia... bem diferente dos sanduiches de pão com queijo e frutas da época, sempre presentes nas mochilas...

           E os papos? Caminhantes falam de trilhas, de montanhas, de praias, de povos e albergues... comentam sobre as bolhas, as tendinites, os piriris e os banheiros dos caminhos... Sobre o que falarão os viajantes de um navio? Veremos!

           Enfim, estou muito animada. Vou escrever novamente, de dentro da minha cabine, com banheiro exclusivo, situada no oitavo andar, no meio do mar! 

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                                                              Eulina         
         

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019







                                                                 SANTIAGO!


          Enfim, chegamos!
          A catedral lindíssima, com a fachada toda restaurada, muito mais fotogênica, serve de cenário para todas as "selfies" de todos os peregrinos e de todos os grupos, que ficam extasiados com a visão. A enorme praça, em frente à igreja fica repleta de gente se abraçando, desfraldando bandeiras de muitos países. Muita gente confraternizando! Uma de minhas amigas trouxe uma bandeira do Brasil, que eu segurei nas pontas e com os braços abertos, posei com meu melhor sorriso, para uma foto, com a catedral ao fundo e a bandeira na frente. Beleza!
           Todos riem, choram, rezam, cantam dançam, externam emoções como podem... e se abraçam. É a terceira vez que chego a Santiago depois de um caminho percorrido. E sempre me recordo dessa praça, como o local no mundo onde dei e recebi os melhores abraços!

          Nosso albergue fica perto. Descemos uma escada, depois uma ladeira e chegamos. Nosso quarto fica no quintal. É minúsculo e tem dois beliches e uma cadeira. Difícil de acomodar as coisas,
porém com lençois limpinhos e cheirosos. O banheiro fica longe, mas é grande e razoavelmente confortável. Ficamos bem acomodadas. Minhas amigas vão até Finisterre. Eu já fui lá duas vezes. Em 2001, pela primeira vez e em 2017, quando fiz o Caminho Português. Desta vez, vou ficar em Santiago.
 
          A cidade fervilha! Milhares de lojinhas, com infinitas lembrancinhas...  o que será que São Tiago acha disso?  Tento não me render ao consumismo. Não consigo, me deixo vencer pela tentação de dar presentinhos. Pra mim, não compro nada. Ando pela cidade. No dia em que as amigas foram à Finisterre, eu fui passear de bondinho pela cidade. É grande, bonita e bem resolvida, tem muitos monumentos, museus, parques, tudo muito bem conservado. Converseri com alguns moradores e todos disseram gostar muito de viver ali, mas que no inverno, quando há menos turistas e peregrinos, eles gostam mais.

          A catedral está sendo reformada por dentro. Então as celebrações estão suspensas. É uma pena. A missa dos peregrinos está sendo rezada todos os dias, ao meio dia, na igreja de São Francisco, que fica perto.  Mas sem o botafumeiro.
          É interessante, porque das outras vezes que estive em Santiago, os peregrinos  (eu inclusive) sempre choram emocionados quando o botafumeiro é acionado. Reza a lenda que a função do botafumeiro era disfarçar o cheiro ruim dos peregrinos que chegavam e iam diretamente para a missa. Atualmente, simboliza a limpeza que o peregrino faz na  alma, quando percorre o caminho. E é nessa hora que a choradeira é geral. Realmente, ver aquele enorme objeto fumegante, "voar" por toda a igreja, acionado por oito padres ao som dos cânticos gregorianos, é emocionante. Que bom que eu já vi essa cena algumas vezes.
           Desta vez, eu fui à missa na igreja de São Francisco e agradeci pela jornada ao som dos cânticos, mas sem botafumeiro.

           Em 2001, quando caminhei pela primeira vez, senti muito mais a sensação de misticismo e magia comumente associadas ao caminho. Não havia celulares, não se pagava nada nos albergues e o menu do peregrino era muito mais barato. Não existiam ônibus cheios de "turisgrinos" e só não carregavam seus mochilões as pessoas realmente impossibilitados. Pisávamos no chão, na maior parte do tempo. O caminho nos fazia lembrar da idade média.
            O número de cidades desabitadas, ou que são habitadas só por donos de albergues, de comércio, bares, restaurantes exclusivamente para peregrinos era muito menor. Havia mais roupas nos varais das pequenas cidades. Os moradores vinham conversar com os peregrinos e oferecer água, às vezes uma fruta e pedir que rezássemos por eles em Santiago.
             Agora, esse misticismo, essa magia não são assim tão evidentes. Nem a cordialidade dos moradores. O caminho é mais atlético e turístico. E mais confortável. Mas continua muito interessante.

              Atualmente, os vários caminhos podem ser trilhados no todo ou em parte, a pé ou de bicicleta, por muito mais gente, de todas as idades. Aumentou muito o número de caminhantes da terceira idade, ou com qualquer tipo de dificuldade de locomoção. Isso é ótimo. E todos tem direito à Compostelana. Os caminhos se democratizaram.
             Se alguem, como eu quiser meditar, rezar, sonhar, pensar na vida enquanto caminha, terá muitas oportunidades. Se for atleta e quiser praticar "trekking" medindo tempos e kilômetros, também terá oportunidades. Se quiser faser um tour histórico e arquitetônico, passando por lugares com muitas  belas construções,  monumentos e obras de arte, também será possível. E o caminhante poderá ainda experimentar a excelente gastronomia da Espanha, bebendo os melhores vinhos. Tudo isso enquanto exercita a própria capacidade de resiliência e conhece pessoas de todo o mundo.

            Enfim, vale a pena fazer o(s) Caminho(s) de Santiago!

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                                                                Eulina